Os Clippers estavam 6-21. Agora eles podem ir para os Playoffs. Ninguém na história da NBA jamais fez isso.

Cento e dezesseis equipes.
Esse é o número de equipes na história da NBA que começaram uma temporada com 6-21 ou pior nos seus primeiros 27 jogos. E dessas 116 equipes, exatamente zero — nenhuma — jamais conseguiu retornar a .500 em qualquer ponto durante a mesma temporada.
Os LA Clippers agora estão 41-38. Eles estão acima de .500. Eles estão lutando por uma vaga nos playoffs. E eles fizeram isso depois de estarem 15 jogos abaixo da linha de equilíbrio.
Isso não é uma virada. Isso é uma ressurreição.
Ato I: O Colapso
Em 19 de dezembro, os Clippers estavam 6-21. James Harden estava com uma média de 25.4 pontos e 8.1 assistências. Não importava. Kawhi Leonard estava entrando e saindo da escalação. A defesa era uma peneira. O Intuit Dome — aquela nova e brilhante arena de $2 bilhões — estava recebendo uma das piores equipes do basquete.
Pela liga, a conversa já havia mudado. As pessoas não estavam perguntando se os Clippers iriam desmantelar. Estavam perguntando quando. A franquia que vinha perseguindo um campeonato por duas décadas parecia prestes a recomeçar. Novamente.
E então algo mudou.
Ato II: A Máquina Acorda
Desde 20 de dezembro, os Clippers estão com 35-17. Leia isso novamente. 35-17. Esse é um ritmo de 55 vitórias em uma temporada completa. Isso não é "melhor". Isso é elite.
O motor da virada tem um nome que não deveria surpreender ninguém: Kawhi Leonard. Quando ele joga, os Clippers são uma equipe diferente. Quando ele não joga, eles são o time que começou com 6-21.
Nesta temporada, Leonard jogou 62 jogos — mais do que em qualquer ano desde sua última temporada em Toronto. Ele está com médias de 28.0 pontos, 6.3 rebotes e 3.6 assistências. Desde 20 de dezembro, ele tem sido o único jogador na NBA com médias acima de 30 pontos e 2 roubos de bola por jogo.
Isso não é apenas bom. Essa é uma produção de calibre MVP de um jogador que a maioria das pessoas havia dado como permanentemente quebrado.
A narrativa em torno de Kawhi por anos tem sido a mesma: Quando saudável, ele é um dos cinco melhores jogadores do mundo. Ele só nunca está saudável. Este ano, ele tem estado saudável. E os resultados falam por si.
Ato III: A Troca Que Mudou Tudo
Em 5 de fevereiro, os Clippers fizeram uma das jogadas mais discretamente brilhantes da temporada. Eles trocaram James Harden — um All-Star de 11 vezes com médias de 25 e 8 — para o Cleveland Cavaliers em troca de Darius Garland e uma escolha de segunda rodada.
No papel, parecia no máximo um movimento lateral. Harden estava jogando em alto nível. Ele tinha poder de veto sobre qualquer troca. Mas os Clippers viram algo que o placar não mostrava: o encaixe estava errado. Harden precisava da bola. Kawhi precisava da bola. E nenhum estava no seu melhor quando o outro a tinha.
Garland perdeu seu primeiro mês recuperando-se de uma lesão no dedo do pé. Ele só estreou em 2 de março, em uma vitória por 114-101 sobre os Warriors. Ele marcou 12 pontos. Nada chamativo. Mas a partir daquele momento, os Clippers se tornaram uma equipe diferente.
Em seus primeiros 17 jogos com LA, Garland tem médias de 17.8 pontos e 5.8 assistências com 47.1% de aproveitamento nos arremessos e 45.9% de três em 7.1 tentativas por jogo. Os Clippers estão 12-5 com ele na escalação.
Em 22 de março, Garland fez 41 pontos, 11 assistências e 8 arremessos de três pontos em uma vitória na prorrogação sobre Dallas. Foi a primeira vez na história da franquia que um Clipper registrou 40 pontos, 10 assistências e 7 arremessos de três pontos em um único jogo.
Isso não é uma peça complementar. Isso é um co-star.
Ato IV: O Técnico Que Nunca Pestanejou
Há uma versão desta história em que Ty Lue é demitido após o início 6-21. Muitos técnicos foram dispensados por menos. Mas os Clippers se mantiveram firmes, e Lue os recompensou sendo exatamente o que esta equipe precisava: calma.
Nicolas Batum descreveu Lue como "muito calmo, muito sereno" durante o pior momento, dizendo ao vestiário: "Vamos ficar bem."
Kris Dunn, que Lue inseriu na escalação titular no final da temporada, chamou-o de "técnico dos jogadores" que é "super tranquilo, relaxado" e "dá confiança aos jogadores, porque ele mesmo é confiante."
A explicação de Lue para a virada foi caracteristicamente simples: seus jogadores nunca desistiram. "Eles poderiam ter desistido facilmente", disse Lue. "Eles poderiam ter cedido facilmente."
Eles não desistiram.
Ato V: O Que Resta
Os Clippers têm três jogos restantes. Eles estão lutando por uma vaga no play-in. A matemática é apertada, mas o ímpeto é deles.
Se eles chegarem aos playoffs, seria a maior virada de temporada na história da NBA. Não a maior da última década. Não a maior desde a fusão. Jamais.
E a parte assustadora? Esta não é uma equipe jogando com o resto e adrenalina. Kawhi está mais saudável do que nunca em anos. Garland está apenas começando. A defesa tem sido top-10 desde janeiro. As peças se encaixam de uma forma que nunca se encaixaram com Harden.
Haverá pessoas que dirão que o recorde do início da temporada foi um acaso — lesões, má sorte, uma nova arena, o que for. E talvez algo disso seja verdade. Mas o outro lado também é verdadeiro: esta sequência de 35-17 também não é um acaso. É assim que esta equipe se parece quando está completa.
Cento e dezesseis equipes começaram tão mal. Todas as 116 permaneceram enterradas.
Os Clippers conseguiram sair.