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Analysis7 min de leitura8 de abr. de 2026

Jeremiah Fears Acabou de Quebrar o Recorde de Calouro do Anthony Davis. Em um Time que Ninguém Está Assistindo.

Jeremiah Fears Acabou de Quebrar o Recorde de Calouro do Anthony Davis. Em um Time que Ninguém Está Assistindo.

Aqui vai um número para vocês: 25.

É quantos jogos os New Orleans Pelicans venceram nesta temporada. De 79. Demitiram o técnico no 12o jogo. Seu melhor jogador, Zion Williamson, perdeu mais jogos do que jogou. De novo. Seu segundo melhor jogador, Dejounte Murray, não estava no ginásio na terça à noite. Nem Trey Murphy III. Nem Herb Jones. Nem Saddiq Bey.

Os Pelicans tinham perdido oito seguidas. Os Jazz tinham perdido dez seguidas. Isso era o equivalente na NBA de dois navios afundando um ao lado do outro.

E no meio de todo esse nada, Jeremiah Fears marcou 40 pontos.

Quarenta.

Com 17 de 29 nos arremessos. Com 6 assistências, 5 rebotes e 3 roubos de bola. Em 38 minutos. Com duas perdas de bola. Numa terça à noite em abril que ninguém fora de New Orleans estava assistindo.

Ele quebrou o recorde de pontuação de calouro da franquia de Anthony Davis. AD fez 38 no seu ano de calouro — lá em 2013, quando os Pelicans ainda estavam descobrindo o que fazer com um pivô geracional. Fears olhou para esse número e disse beleza, vou pegar pra mim.

Ele tem 19 anos. Nascido em 14 de outubro de 2006. Deixa isso entrar por um segundo — esse garoto nasceu no mesmo ano em que o Twitter foi lançado.

O Armador Mais Jovem a Conseguir Isso

Quando Fears chegou a 40, ele não apenas quebrou um recorde de franquia. Ele se tornou o armador mais jovem da história da NBA a marcar 40 pontos em um jogo. Não o jogador mais jovem — Cooper Flagg tem essa distinção depois da sua explosão de 42 pontos em dezembro. Mas o armador mais jovem. A distinção importa.

Armadores não chegam a 40 como os pivôs. Não tem tapins. Não tem alley-oops. Não tem cestas fáceis no aro em arremessos errados. Armadores precisam criar cada cesta. Precisam passar pelo marcador no drible, navegar a ajuda defensiva, finalizar no contato, ou arremessar da meia-distância com uma mão na cara.

Fears fez tudo isso. Dezessete arremessos convertidos. Apenas um foi de três — ele foi 1 de 7 do perímetro, o que significa que 16 das suas 17 cestas foram de dentro do arco. Ele estava atacando o aro, chegando nos seus pontos na meia-distância, provocando faltas. Essa não foi uma noite de sorte nos arremessos. Foi uma aula magistral de criação de arremesso de um adolescente.

Ele agora é o oitavo adolescente na história da NBA a fazer 40 em um jogo. Os outros sete? Cooper Flagg (várias vezes), LeBron James, Kevin Durant, Devin Booker, Luka Doncic, Brandon Jennings e Cliff Robinson. Não é má companhia para um garoto de Joliet, Illinois.

A Linhagem

O basquete corre no DNA de Fears como um instinto herdado. Seu pai, Jeremy Fears Sr., jogou basquete na Divisão I em Ohio e Bradley, depois foi para o exterior e jogou profissionalmente na Europa por seis temporadas. Seu irmão mais velho, Jeremy Fears Jr., é o armador titular no Michigan State.

Jeremiah era o caçula. O que assistia vídeos dos highlights europeus do pai antes de conseguir driblar com a mão esquerda. Ele se transferiu de Joliet West para a AZ Compass Prep no penúltimo ano — a fábrica que tem produzido talento NBA a uma taxa alarmante — depois foi para Oklahoma, onde teve médias de 17.1 pontos, 4.1 rebotes e 4.1 assistências como calouro.

Os Pelicans o escolheram na sétima posição. Ele é a quarta escolha no top sete vinda de Oklahoma nos últimos 16 anos, juntando-se a Blake Griffin (No. 1, 2009), Buddy Hield (No. 6, 2016) e Trae Young (No. 5, 2018). De Oklahoma para New Orleans está virando um pipeline.

O Terceiro Quarto Foi Violência

Se você não assistiu — e estatisticamente, você não assistiu — o terceiro quarto desse jogo foi absurdo. Os Pelicans superaram os Jazz por 50-27 no período. Cinquenta pontos em um quarto. Arremessaram 72% de campo como time.

Jordan Poole meteu 22 dos seus 34 pontos só nesse quarto. Jordan Hawkins bateu o recorde da temporada com 25. O calouro Derik Queen — a 13a escolha que New Orleans pegou junto com Fears — teve 17 pontos e 12 rebotes. O também calouro Micah Peavy acrescentou um recorde de carreira de 20.

O placar final foi 156-137. Os Pelicans estabeleceram um recorde de franquia de pontos em um jogo. Numa noite em que seus cinco melhores jogadores estavam de roupa de rua.

Leia isso de novo. A maior explosão ofensiva da história da franquia dos Pelicans veio de uma escalação de calouros, projetos de reconstrução e Jordan Poole se divertindo como nunca.

Por Que Isso Importa Mais do que Você Pensa

Os Pelicans estão 25-54. Não vão para os playoffs. Não vão para o play-in. Esta temporada foi um desastre por qualquer métrica tradicional.

Mas é o seguinte sobre temporadas de 25 vitórias: elas só são verdadeiramente desperdiçadas se nada cresce nos escombros.

Fears está com médias de 13.4 pontos, 3.6 rebotes e 3.3 assistências por jogo como um armador calouro de 19 anos. Foi selecionado para o Rising Stars durante o All-Star Weekend. Jogou 79 jogos — setenta e nove — numa temporada onde a franquia poderia facilmente tê-lo poupado, tankado mais forte e protegido seu corpo.

Em vez disso, deixaram ele jogar. Deixaram ele errar. Deixaram ele aprender. E numa terça à noite em abril, com a temporada já encerrada e ninguém assistindo, deixaram ele explodir.

Derik Queen tem 19 anos com 17 e 12 neste jogo. Fears tem 19 com 40-6-5. Os Pelicans têm duas escolhas de loteria da mesma classe de draft que parecem pertencer ao elenco. Quando foi a última vez que New Orleans pôde dizer isso?

A Classe de Calouros Esquecida

Cooper Flagg dominou toda conversa sobre calouros nesta temporada — e com razão. Cinquenta e um pontos. O jogador mais jovem a marcar 40. Um legítimo favorito ao Calouro do Ano desde fevereiro. O show de Flagg tem sido televisão obrigatória.

Mas Fears vem construindo algo em silêncio em New Orleans. Não do tipo chamativo, top 10 do SportsCenter. Do tipo ralar, jogar 79 jogos num time de 25 vitórias, aprender a comandar um ataque da NBA. O tipo que não aparece nos highlights até que numa terça qualquer tudo se encaixa e você mete 40.

A classe do draft de 2025 pode ser mais profunda do que qualquer um imaginava. Flagg é a atração principal. Mas Fears acabou de avisar: o card preliminar tem garras.

O Que Vem Pela Frente

Os Pelicans têm três jogos restantes. Vão terminar com um dos piores recordes da liga. Vão ter uma escolha alta na loteria. E na próxima temporada, presumivelmente terão Zion de volta, um Murray saudável, e um Jeremiah Fears de segundo ano que já sabe o que é fazer 40.

Esse é o plano. É por isso que se joga esses jogos até o fim. É por isso que você não poupa seu armador de 19 anos em março quando a temporada já era.

Porque às vezes, numa terça à noite sem importância em abril, contra um time que perdeu dez seguidas, sem ninguém assistindo e sem nada em jogo — um garoto de Joliet, Illinois quebra o recorde de calouro do Anthony Davis e se apresenta para a liga.

Quarenta pontos. Dezenove anos. E isso é só o começo.